sábado, 27 de janeiro de 2018

Pintas o cabelo de emoções na tentativa de te esconderes da dor e parece, por um breve momento, teres conseguido.
Olha que ela é esperta! Encontra-te. Tentas novamente e falhas de novo...
E os outros notam, fazem reparos, não àquilo que tu revelas mas somente ao que eles vêem. Mentes pequenas que vivem da aparência e da crítica gratuita.
Luta inglória.
Voltas a velar-te com a capa da "normalidade".
No comments!

Sou uma casa vazia.
À porta de mim mesma,  olho para trás e oiço ecos do que fui, do que foi: choro de desilusão, de solidão de desespero, de alegria pura..risos genuínos de rasgos de felicidade, de cumplicidade, de emoções reais.
Vejo na névoa da memória, ou na penumbra da casa, vultos que expressaram desejo, tranquilidade, mas também desassossego, revolta e fúria...
Depois, o silêncio gritante, ensurdecedor e gélido....
Abro a porta e peço, num desejo esperançoso,  que lá fora o sol esteja carinhoso e me aqueça o rosto húmido.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Tenho sentimentos contraditórios sobre o Natal.
Claro que quando se deseja um bom natal é para TODOS. Contudo, Sabemos que não é assim ...

Há 2017 anos nasceu uma criança, perseguida por ameaçar o poder instituído de ser o portador de paz , solidariedade e equidade...se era filho de Deus? Sim. Não o somos todos...? Se era um líder? Sem dúvida... Que foi educado de maneira diferente (até porque não há registos da sua existência entre os 7 e os 33 anos), foi.
Terá sido por acaso que vieram Reis do Oriente dar as boas vindas a uma criança pobre e desconhecida?

Regressa para implementar ideais, sofre e morre (não se sabe se na idade "apregoada"pelo marketing" do catolicismo) em vão.....

Ainda hoje, os ideais não passam disso e o Papa (o único padre honesto que conheço) diz que o Natal é a fraude das luzes e do consumismo...

BOM NATAL....especialmente para aqueles que nada têm ...a não ser coração!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Nunca  fui desistir das coisas, mas há momentos na vida em que devemos equacionar a validade de um percurso. Não se trata de desistência mas de ter a consciência da utilidade ou do benefício desse percurso na nossa vida.

Já deixei projetos para trás porque não me acrescentavam...também já deixei outro por, sei lá... receio de falhar. Esse foi o que ficou por acabar. Não está perdido. Aos outros fechei o arquivo e pronto.

Atualmente, com franqueza, não sei o que ando a fazer...ou sei. Arrasto-me dia a dia, sem que cada um deles seja significativo de verdade.

Sonho com outros mundos, outros espaços, tranquilidade, solidão voluntária que me traga paz...e não dou o passo certo. Aquele que faz a diferença. Estou encalhada, enredada numa rotina e numa armadilha financeira ...agarrada a uma casa. Para quê?
Por ter cedido ao patético sonho do pobre aburguesado que tem que ter a sua "casinha" em troca da liberdade? Não valeu a pena... não vale o sacrifício...e a gaiola nem é dourada...

Um dia vou...para parte incerta, verde, com água e nada...!!!

sábado, 4 de novembro de 2017

Simone

Hoje fui árvore com asas e voei à procura de uma raiz pequenina que sempre me deu felicidade.
Encontrei-a... doce e delicada por dentro como a conheci. Cresceu, contudo, sofrida mas valente... outras árvores a foram protegendo...agora é árvore com rebento. É mãe, a menina que conheci ...chorámos e falámos sem palavras!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Apesar de gostar do Halloween também gosto do Pão por Deus ...

A OPINIÃO DE JOÃO QUADROS

Ora, amanhã é Noite das Bruxas , ou noite de halouéne, como diria a maioria dos habitantes de Portugal, se a maioria não fossem turistas. No meu tempo (808 dC) este dia era o dia de “Pão por Deus”. Também pedinchávamos, porta a porta, mas não nos mascarávamos de monstros e não ameaçávamos ninguém com doçuras ou travessuras, porque se o fizéssemos levávamos com um cinto. Normalmente o objetivo era obter pão de ló com a justificação que era pão por Deus. Dizíamos que era para Deus mas comíamos nós e nem uma migalha dávamos a um pombo, mesmo ele que provasse que era o Espírito Santo. Era como se houvesse um lado marginal na religião. Eu gostava.
O Dia das Bruxas não tem tido muito êxito em Portugal, talvez porque se perderam os velhos rituais como a queima das bruxas. Há muito, muito tempo, quando quem mandava era a Santa Inquisição, a esta hora estavam a juntar madeira para fazer uma fogueira no Marquês de Pombal para queimar bruxas vivas. E não havia divisões. Não havia nem Benfica nem Sporting, as pessoas juntavam-se no Marquês, e era tudo do mesmo clube, que era um clube que gostava de queimar bruxas vivas. Eram outros tempos. Hoje, se a Maya fosse queimada viva no Marquês, tenho a certeza que as opiniões dividiam-se.

O Halloween é uma coisa parva que importámos e que ninguém sabe para que serve – é como os submarinos. Fui ao hipermercado e estavam abóboras com autocolantes a fazer de dentes assustadores e de olhos maus – se a intenção é assustar as pessoas, podiam fazer isso com autocolantes com o preço do lombo. Para mim, uma abóbora é sempre uma abóbora. De uma abóbora eu espero que seja capaz de dar origem a uma boa sopa, não espero que tente assustar o meu mais novo. Claro que se pudéssemos escolher a fruta e os legumes desta forma, tudo seria mais simples. Se o melão mau tivesse cara de mau, eu não tinha necessidade de lhe apertar as extremidades para ter um leve palpite sobre a sua natureza. "Não leves essa meloa porque está com cara de enjoada". Tornava tudo mais simples.

Portanto, senhores dos hipermercados e outras lojas em geral, eu queria pedir se evitavam de assustar os miúdos com legumes porque eles já os detestam o suficiente. Podem poupar tempo. Por exemplo, não precisam mascarar um espinafre porque as crianças só de ouvirem falar no nome choram. Não faz sentido mascarar abóboras só porque é Dia das Bruxas. Se vão por aí, no dia do pai têm que pôr tomates a sorrir. Não se brinca com a comida. O Dia das Bruxas não tem tradição em Portugal porque os portugueses não gostam de brincar com essas coisas.

Como costumo dizer quando me embebedo com aguardente de abóbora, esta tradição à força não bate certo. Os portugueses não gostam de misturar mortos e festa. Aquela tradição de que a seguir a um enterro há comes e bebes e festa em casa da família de quem quinou é um impensável para nós. "Morreu o Tio Heitor, não querem ir lá todos a casa comer um bacalhau com natas?" Ou "passa-me aí a mousse de manga que eu ainda não consigo acreditar que o primo Luciano já não está entre nós".

Resumindo: o Halloween é a época do ano preferida dos pedófilos góticos, e fica por aí. A mim é que não me apanham mascarado. Também fico por aqui. Este é uma tema que me emociona muito e tenho que me ir assoar por que tenho o nariz de bruxa a pingar.